Multiplicidade do ser
Fisu ente ci
Se eu só fosse duas faces
Se eu só vivesse duas vidas
Nem a água podia limpar
A sujidade de esperar
Que a vida fosse completa
Em águas paradas
Fisu ente ci
E quando sou curiosa demais
E quando dou demais
E quando peço demais
E quando existo demais
E quando vivo demais
E quando sonho demais
E quando procuro mais
E quando quero mais
E quando mergulho mais fundo
E quando subo mais alto
E quando me supero
Ainda quero mais
E nunca estou satisfeita
Com o que tenho demais
Nunca é demais
A árvore incompleta
Como uma folha, pedaço de natureza
Como uma folha de papel em branco
Como uma folha que precisa de estar completa
As tuas veias escondem o caminho
E por baixo do que vejo
Existe o que conheço
Como mais ninguém
As folhas da tua árvore
E descobrir é o que me fascina
Até que as tuas veias sejam as minhas
E possamos ser um tronco
Ou uma copa fechados em nós
Ou uma copa fechados em nós
De uma árvore que vive em nós
Porque existe uma árvore em nós
E com as folhas, as nossas heranças
Existir - Não existir
Não sou mais que um fantasma
Em dias cinzentos, que voa, que passa
Recolhendo os momentos em memórias
Transformando memórias em experiências
E existindo
E quando os dias estão claros
Penso que posso existir transparente para alguém
E invisível para todos
Invisível no enorme mundo
E tu dizes-me que não!
Porque quando tens importância para alguém
Possuís o mundo
E existes no mundo
Mais do que um fantasma
Que em dias cinzentos, voa e passa
Mu adi diar
Quando algo se desvanece em mim
Quando se solta, se transforma, desfragmenta
O fumo aparece cá dentro
A boca sabe a queimado
E encontro-me perdido, rodeado de todas as cores e formas
do mundo
Porque em alturas dadas, só se sente o que é negro
Ou então o frio
E a fracção que se desvanece,
solta-se para que a percas para sempre.
Sempre que há fumo, há fogo. E o fogo está dentro de nós.
Se te queima, se te aquece… só o vento pode levar o meu
fumo.
E depois no dia seguinte, ainda existiria algo para
queimar em mim.
Até que só reste cinzas, da alma fria que um dia ardeu
sozinha.
O Eternamente
No calor do teu beijo me perco, no calor dos teus braços
me encontro.
As nossas almas prendem-se e ligam-se infinitamente,
mais do que o nosso corpo abraçado e nu.
Vivo o efémero momento ao qual concederia a imortalidade…
mas sei q a ilusão acaba – desfaço o abraço, apago o
beijo
Não consigo desprender as cordas que nos amarram.
Porque o para sempre não existe.
Mas eu para sempre me perderia no teu beijo para me
reencontrar no teu abraço.
Salvador Dalí e o seu Espaço
Salvador Dalí marcou uma época como individualidade, fazendo da sua obra um total marco no Surrealismo como tendência e na Arte em geral. Quando foi pedido aos alunos que escolhessem uma pessoa cuja vida os inspirasse, lembrei-me instantaneamente deste Artista, que não sendo apenas um pintor, me fascina e deslumbra como criador dentro da sua extravagância e versatilidade - Não limitando o seu trabalho às obras plásticas que concebeu, desenvolvi um processo de aprendizagem e estudo a cerca da sua vida e obra.
Quando
realizei a pitura do quarto imaginário do artista na disciplina de Desenho,
foquei-me no seu espaço psicológico e pretendi criar uma mistura do seu quarto
real e do seu espaço intimo seguro, ou seja o SEU espaço - uma mistura do seu estado psicológico com elementos reais
cujos imaginei fazer parte do seu atelier/quarto como espaço físico.
Baseei-me no meu trabalho de pesquisa para conceber a
minha instalação e sobretudo nas obras de Dalí, seus elementos e seus
significados. No Surrealismo, tudo é possível.
Como surgiu a instalação?
Como surgiu a instalação?
Imagens retiradas do bloco dos rabiscos
Quase todas as ideias iniciais foram levadas a cabo sofrendo alterações durante o processo.
Para conceber o meu projecto que para além de uma
instalação também se pode considerar uma exposição interactiva cujo objectivo é
que o espectador explore e se surpreenda pelo conteúdo encontrado, lixei e
pintei um móvel antigo de madeira ao qual alterei as formas e a estética, a
nível de puxadores e embutidos e acrescentei apontamentos exteriores e
interiores. Introduzi também elementos que para mim traduzem a obra de Dalí e
que dão profundidade ao trabalho. Para uma melhor compreensão do trabalho
desenvolvido, o ideal seria o contacto com as suas gavetas que contém 1) um formigueiro – terra e algumas formigas que trabalham no interior da gaveta 2)
material expositivo e de trabalho do artista – vários pincéis, um pano, um
cadeado, uma concha, uma pedra pintada de vermelho etc 3) Fogo (pano vermelho-translucido)/ Búzio/ Sapateira; No tampo podemos encontrar
um copo numa posição de equilíbrio, sem estabilidade e o seu relógio derretido;
Para além destes elementos e para completar a instalação, realizei a moleta de
Dalí utilizando uma bengala de madeira, jornal/ pasta de papel e tinta.
Para melhor compreenssão do meu trabalho, vejam o meu video Surrealista e expositivo do mesmo em http://www.youtube.com/watch?v=X1_ytNsiZS0&feature=youtu.be
Foi-nos apresentado um novo objectivo de trabalho na disciplina de Oficina de Artes: representarmos um retracto, máscara ou busto a partir do modelar... Fizemos escultura pela primeira vez!
Inicialmente, o intuito era escolher o material no qual gostaríamos de trabalhar, sendo que a maioria preferiu explorar o gesso. Comecei assim por decidir que trabalharia o gesso, que na minha opinião possui características mais interessantes e expressivas. E nessa altura também considerei a minha intenção. Deparei-me logo, numa fase inicial, com a dificuldade técnica de criar um busto, que era o que queria fazer... Acabei por resolver criar uma pasta de cartão, papel e água que formasse assim uma massa de forma esférica e que sustentasse o gesso, para que se transformasse numa figura possível de ser trabalhada de todas as perspectivas e direcções, ou seja - um busto completo, com ombros que sustentassem a composição. Para isso tive que fazer uma estrutura de madeira, pregada e posteriormente coberta pelo gesso que sendo assim, já teria forma em 360º.
Seguidamente, baseando-me na minha intenção inicial que seria representar uma figura humana a gritar (expressando-se desta forma), exagerei nas formas do rosto para que as pudesse moldar da maneira pretendida. Um queixo que avançasse em relação ao formato natural do crânio, por exemplo. A partir desse ponto e começando o modelar da maneira que previ, as dificuldades mínimas que surgiram foram igual e facilmente resolvidas tornando a minha escultura num trabalho bastante enriquecedor e gratificante.
Algumas decisões foram tomadas desde esse ponto, em que a forma estava conseguida mas não exactamente como pretendido assim sendo, daí para a frente, também a concessão em relação à expressão e sentido que o meu busto teria de transmitir, foram alteradas. E foi com essa preocupação que finalizei a escultura, decidindo de que se tratasse de uma mulher, contrariamente às máscaras gerais, abandonando a ideia inicial do grito mas aceitando as expressões femininas desta vez representando uma situação em que não ouvisse, falasse ou visse – decidi também não pintar a escultura por gostar essencialmente das características naturais que o gesso deu ao trabalho final, não ficou perfeito, nem me deixou 100% satisfeita mas sim orgulhosa por ter sido o meu primeiro trabalho neste registo.
Acabando por pesar mais de 5kg, a simplicidade foi o essencial, tendo sido a ultima fase a limpeza da sala!
Transfiguração
Aqui estão alguns exemplos do meu trabalho de transfiguração realizado em Oficina de Artes/1º Período.
Veja todo o meu trabalho em: http://www.flickr.com/photos/03carolinabarbosa/sets/72157631845735289/
Relatório
Inicialmente, o propósito das minhas experiências era traduzido no facto de querer conhecer a plasticidade e forma de trabalhar diversos materiais que para mim seriam, naturalmente novos e desconhecidos tal como a sua abordagem anti conceptual. Assim sendo, não foi difícil perceber que os resultados pretendidos nem sempre eram conseguidos mas, mesmo assim, fui levada a surpreender-me a mim mesma visto que em cada trabalho, a ambição crescia tal como a surpresa - com uma ou outra característica expressiva de que não estava à espera mas que no entanto, acabou por favorecer o trabalho e torna-lo-ia mais interessante.
Os vários e diferentes materiais utilizados favoreciam a minha aprendizagem e cada vez mais me dá gozo junta-los e fazê-los sobressair uns com os outros ou mesmo contrastá-los assumidamente.
A parte mais difícil de todo o conjunto foi a anulação da minha figura/imagem base e o desprender das regras o que por vezes prende a expressividade e nesse aspecto houve uma evolução - menos medo de arriscar e criar, não seguindo sempre as regras da cor, da forma, ou do modo de trabalhar, etc.
Cada trabalho teve por base não só a minha fotografia mas também alguma motivação, isto é, algum sentido de expressão - algum sentimento, alguma intenção, alguma sensação, ligação ou linguagem plástica própria - a anti forma, a experiência com o action painting, a mistura propositada de materiais e cores que inevitavelmente criam sensações.
Para que o trabalho final tivesse este aspecto, houve tempo para tudo. Momentos de criatividade, de 'deixar levar' pelo que apetecia, para experimentar, para ser original e ousada, para explorar e até pesquisar.
No final, depois de ponderar todos os pontos em que o meu trabalho incidiu, fiquei satisfeita pela rota que tomei, pelo que consegui... mais importante que me tenha soltado, abstraído das noções que me prendiam, ultrapassado obstáculos e progredido, não esquecendo a minha ambição e curiosidade que me levaram de maneira autónoma, a Explorar.







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