domingo, 28 de outubro de 2012

Quero


A Árvore
Alguns objectivos, que descrevem o que quero para mim, estão bem traçados. Mas nem sempre tenho a certeza do que quero ser e do trajecto até conseguir. Alguém melhor a cada dia, alguém mais experiente, isso é certo, mas nunca alguém sem dúvidas.
                Assim sendo achei que uma árvore seria o elemento metafórico ideal para descrever o que “quero” na medida em que representa o topo máximo, o caminho traçado para o sucesso, o momento em que me poderei exprimir e que os meus ramos mais altos chegarão “ao céu”. Aprendi a árvore como um elemento de profunda sabedoria, equilibrado e sempre vivo. Que é capaz de criar e destruir, que é forte e sólido, versátil e espontâneo na sua natureza.
                Esta fotografia foi tirada a uma das árvores na escola, propositadamente num dia de nevoeiro com o intuito de representar a minha dúvida relativamente ao caminho que quero seguir – aproveitando cada momento na vida e o seu melhor para crescer e o “melhor galho para trepar”. A dificuldade encontrada foi principalmente na tentativa de transmitir, a partir da perspectiva, a sensação de escalada e de progresso em relação ao topo da árvore e ao evidenciar a bonita textura da casca da árvore e o recorte dos ramos no céu que formam uma trama e um conjunto de imagens, conseguidas através do contraste, que me deixaram em dúvida (mais uma vez sem certezas), felizmente que as características da luz estavam propícias para captar exactamente a imagem que pretendia. 

Sou


A Dança Interminável

                Esta fotografia apresenta características que ditam o que sou (neste momento) como ser humano. Perante a necessidade de incluir na fotografia um cariz de natureza, foi junto dela que encontrei a paz necessária para procurar, não só nos aspectos específicos mas também nas imperfeições da fotografia, a representação do que é ser “Eu” – e talvez tenha sido a tarefa mais complicada – a definição do acto “Ser”.
                Sendo uma fotografia em movimento, demonstra a minha posição em relação ao mundo – sempre curiosa e à procura de evolução, em movimento segundo tarefas conscientes ou inconscientes que ditam o meu próprio caminho/processo evolutivo.
                O facto de me apresentar sozinha no fundo dissimulado e num plano posterior, transmite a sensação de individualidade, diferença e autonomia/independência – tentando alcançar a espontaneidade – numa posição de braços abertos ao mundo, esperando dar e receber tudo o que for possível absorver (e explorar) e não deixando de criar - inércia significaria morte perante a existência de, por vezes, tantas dúvidas e questões.
                A cor e a luz tal como os segmentos em movimento expressam a minha vivacidade tal como a necessidade de criação e singular presença nas minha vivências, com toda a intensidade juvenil possível, a alegria e liberdade que por vezes trazem instabilidade e a consciente procura de equilíbrio (sem sucesso). Claro está que, o “Sou” é mutável segundo a minha aprendizagem e contacto com o mundo que me rodeia.
                Em relação a potenciais problemáticas relacionadas com esta fotografia, todos os melhoramentos que pretendia foram sendo conseguidos através de infinitas experiências cujo resultado é conseguido deste modo, onde o objectivo era o movimento ascendente e os feixes de luz misturados com o conjunto de cor.


Pareço

A Porta



                Esta fotografia surgiu através da comparação entre o que eu “Sou” e o que “Pereço” e visa transmitir essa questão. O elemento porta inclui essa mesma antítese – a proximidade e diferença entre o que sou e ao que aos olhos dos outros, pareço. Isto é, Porta significa que só quando se transpassa a barreira exterior é que se descobre o que estará do outro lado, para além do que se vê e não conhece.
                Não sendo uma pessoa fácil de me dar a conhecer e por vezes encarada como "uma porta fechada", sendo poucos aqueles que “sem abrir a porta” conheceriam o meu “interior”, reparei numa bonita porta verde nº1 em Carnide, numa rua estreita do caminho (que representou o principal problema), caminho este que tomo quase todos os dias. Todavia, todos os elementos são importantes e não só a porta em si: o facto da porta ser firme, forte e ter uma função, possuir uma corrente que por vezes a protege de possíveis intrusos e estar degradada transmite essa mesma faceta – raramente frágil, mas sim firme e convicta da minha função e presença. Por vezes tomada pela necessidade de me/se manter incógnita e escondida na minha/sua casa (lugar interior), indiferente por vezes ao mundo exterior e no fundo, sempre atenta e presente na minha/sua independência. Um tanto ou quanto gasta, por vezes, não deixando de transmitir confiança e esperança segundo a sua cor original que se mantém - um verde alegre, activo e acolhedor.
                O problema sugerido anteriormente surgiu da necessidade de encontrar a posição exactamente perpendicular à fachada onde a porta está inserida para que pudesse tirar a fotografia no enquadramento desejado, o que foi impossível, devia ao facto da rua ser estreita demais para que me pudesse afastar o suficiente da fachada no mesmo eixo sentido ortogonal – o que fez com que a porta surja ligeiramente inclinada, na minha opinião, não ocultando a sua potencial beleza artística.   

Trabalho Fotográfico


                É com grande convicção que concluo todo um trabalho que, natural e espontaneamente, tem vindo a ser desenvolvido seguindo um ciclo de tentativas e descobertas que me levaram a evoluir. Como tal, após árdua ponderação, incluí algumas fotografias significativas na minha plataforma Flickr e posteriormente, tomei três fotografias como principais escolhas, aquelas que melhor descrevem o que “Pareço”, “Sou” e “Quero” ser e que respondem às minhas expectativas fotográficas. De todo o conjunto, junto apresento as respectivas fotografias e o seu esclarecimento tal como a descrição de processo de trabalho, desenvolvimento, problemas e métodos.             

                Numa fase inicial, ponderei na forma de apresentação do que pareço, sou e quero, intencionalmente através de imagens, símbolos e metáforas que descrevessem e representassem cada um dos três temas. O meu trabalho incidiu fortemente na parte mais natural de mim, assim sendo, a ideia inicial culminou na natureza – na presença das árvores. Por essa razão durante todo o processo, a presença das árvores é relevante.  

O que PAREÇO, o que SOU, o que QUERO...